Conjuntura política nas comunidades de atuação do GA

Os três mosqueteiros, um romance clássico escrito em 1844 pelo francês Alexandre Dumas, tinha uma frase importante que marcava a obra: “Um por todos e todos por um”. Era assim que AthosPorthos, Aramis e D’Artagnan enfrentavam grandes aventuras juntos.

Esta frase clássica da obra de Alexandre Dumas pode ser hoje bem empregada no cotidiano de violações que sofrem as comunidades pobres do Brasil, em especial as do Recife, e como elas reagem a essas violações… “Um por todos e todos por um!” quando se trata do abandono do Estado sobre os que mais precisam, sendo a população protetora dela mesma: no direito à moradia, da falta de saneamento básico e de questões de sobrevivência.

A história dos três mosqueteiros “É o mito da amizade entre as pessoas que, sob o duplo seio da lealdade e da coragem, tornam-se invencíveis” (André Raussin, dirigindo-se a Academia Francesa, em 1980), trazendo essa analogia ao sentido de vida nas comunidades, pode-se falar do enfrentamento dos moradores de Caranguejo/Tabaiares às grandes empreiteiras, que desafiam todos os tipos de leis para construção de seus conglomerados que só beneficiam a classe média/rica. Se não fosse a organização dos moradores, a união destes, a comunidade já teria sido apartada, quiçá devastada.

Um grave incêndio que ocorrera na comunidade de Caranguejo, em 2013, tornou as pessoas mais fortes e mais cuidadosas uma das outras. A comunidade de Santa Luzia, que fica dentro de um dos bairros mais ricos do Recife, a Torre, sofreu não só um, mas dois gravíssimos incêndios, que afetou dezenas de famílias, que pela sinergia e resiliência persistem e resistem com suas moradias, entre becos e vielas, vivendo dignamente todos os dias. Até hoje esperam auxílios estruturantes por parte dos governantes da cidade.

Em Roda de Fogo, no bairro dos Torrões, mais uma vez os moradores, como espadachins, assim como no romance francês, duelam constantemente contra o lixo exposto na comunidade, o grave desamparo por parte da Prefeitura é desolador e a consciência dos próprios moradores na intenção de preservar e cuidar do território afetivo é algo impressionante. De igual forma a comunidade de Santo Amaro, bem no coração do Recife, trava duelos há décadas sofrendo fechamento de escolas públicas e pressões das imobiliárias, que tentam sangrar a natureza, desalojarem moradores em detrimento de seus lucros.

          Na história original dos Três Mosqueteiros, Dumas pretendia fazer de d´Artaghan um personagem secundário, mas após seu protagonismo, Dumas o promoveu aos poucos até atingir o posto tão sonhado de mosqueteiro. Mais uma vez fazendo analogia ao cotidiano das comunidades, o protagonismo é essencial, nas construções coletivas e desenvolvimento do bairro, cuja mudança beneficiará a todos. Não dá para as pessoas viver à sobra de outras, a aptidão de liderança deve prevalecer em cada um e em cada uma, para que juntos consigam objetivos que são para “a geral”.

          As forças que se organizam para violar direito dos pobres são fortes e persistentes, de igual forma deve ser as pessoas que fazem dos seus territórios, comunidades, espaços afetivos, que cuidam e vivem suas relações interpessoais. Tornem-se fortes e persistentes! A promoção da cidadania só vem a partir de uma forte pressão popular ao governantes, que tem o dever de aplicar políticas públicas que beneficiem sobretudo os mais pobres. Tudo conspira para que dê errado, no entanto, só a organização popular muda este quadro. Um por todos e todos por um!

Abril 2019

Texto: André Fidelis/ Pedagogo/ Coordenação Grupo AdoleScER