O Centro de Escuta é um dispositivo utilizado pelo Grupo AdoleScER a partir da metodologia do Tratamento Comunitário1. Seu o objetivo é acolher casos de sofrimento social, que são causados por processos de exclusões sociais, seja no âmbito individual ou coletivo, para serem escutados, acompanhados e encaminhados. Sua prática é dividida em quatro matrizes: escutar ativamente, mediar, acompanhar e encaminhar.
Desde o ano de 2015, o Grupo AdoleScER passou a implementar o Centro de Escuta nas 04 comunidades e escolas parceiras onde atua – Caranguejo/Tabaiares, Roda de Fogo, Santa Luzia e Santo Amaro, devido a demandas internas que começaram a aparecer de problemas que estavam interligados aos diversos tipos de temas que eram trabalhados nas formações da instituições, como uso abusivo de drogas, por exemplo. São estruturado em duas vertentes:

1) A primeira é um centro de escuta fixo, que representa as 04 (quatro) salas instaladas nas sedes do GA em cada comunidade para o processo de escuta e acolhimento dos casos de sofrimento social recebido – tanto dos líderes de opinião2, como de seus familiares e pessoas das comunidades.
2) A segunda é um centro de escuta móvel, representada pelos/as educadores/as sociais do Grupo AdoleScER e que é direcionada para a atenção dos casos de sofrimento social dentro do território comunitário e nas escolas, a partir da escuta ativa3.

Em 2016-2017 na instituição foram acompanhados 65 casos, sendo 33 do gênero masculino e 32 do gênero feminino. Dos atendidos, houve diversas situações, tais quais: envolvimento com o tráfico de drogas, uso de álcool e outras drogas, problemas de relacionamento familiar, dificuldades escolares, identificação de gênero e sexualidade, saúde física e psicológica, problemas financeiros e estruturais e práticas de roubo e furtos. Vale salientar que o Grupo AdoleScER não visa a solução dos problemas, os casos em que não eram possíveis realizar o acolhimento seguiam-se para a rede de atendimento e proteção do estado, cujas parcerias foram estabelecidas. Todas as intervenções foram discutidas e debatidas em reuniões com a equipe interna, seguindo um processo planejado de intervenções específicas que variavam de acordo com a complexidade apresentada.

Dos encaminhamentos realizados, estabeleceu-se uma aproximação com o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) das RPA’s 1 e 4. Foi articulado, também, nas mesmas regiões, a aproximação com o Centro de Apoio Psicossocial (CAPS), acionou-se os Postos de Saúde (PSF’s) das 04 comunidades, o Conselho Tutelar da RPA 4 e RPA 1, o Centro integrativo de Saúde (CIS), o Núcleo de Apoio às práticas integrativas (NAPI), a articulação com a Agência do Trabalho, com o serviço de defensoria pública e a aproximação junto às associações dos moradores das quatro comunidades. Ainda no âmbito das articulações, o Grupo AdoleScER participou de reuniões junto a Secretaria de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas (SECOD), da Secretária Executiva de Políticas Sobre Drogas (SEPOD). As redes estão sistematizadas em um guia de encaminhamentos, elaborado para orientar os locais de acesso aos serviços públicos. O guia que está disponível para os usuários do Centro de Escuta fixo – o link para acessar o Guia segue no final desse capítulo, na parte de anexos.
No Centro de Escuta foi possível, também, estabelecer uma periodicidade no número de visitas familiares, o que aproximou mais as famílias e as comunidades ao Grupo AdoleScER. O objetivo das visitas era estabelecer mais vínculos com as famílias, acompanhar o desenvolvimento do adolescente e trabalhar a relação entre eles, pois as mudanças só poderão ocorrer com efetiva participação da família.
Os resultados obtidos durante o período de atividades do Centro de Escuta se colocam pelo relato dos beneficiários que foram acolhidos, trazendo a importância em ter sido escutado e compreendido em momentos de dificuldades, gerando confiança, respeito e relação singular com o educador ou referência comunitária que o acolheu.

Observações:
1. O Tratamento com Base Comunitária é uma metodologia de intervenção para o trabalho em comunidades que vivenciam contextos de exclusão social grave. (ver em http://tratamentocomunitariopb.blogspot.com.br/p/tratamento-comunitario.html)
2. É a nomeclaturada dada no Grupo AdoleScER aos adolescentes que são identificados com potencial de liderança e atuam junto aos grupos na formação.
3. A escuta activa é uma técnica de comunicação que implica que, num diálogo, o ouvinte comece por interpretar e compreender a mensagem que recebe. Parece óbvio que quem ouve deva prestar atenção ao que lhe transmitem, mas a verdade é que uma boa parte da informação de uma conversa não chega correctamente ou é mal interpretada pelo ouvinte. Isso acontece por excesso de informação, falta de concentração, stress ou por várias outras razões. (ver em https://www.portal-gestao.com/artigos/6451-o-que-%C3%A9-a-escuta-activa.html)

20.11.2017