Brasil é um país diverso, na cultura, na orientação sexual, na raça, na etnia, quepossui pessoas com muitas cores de pele e aparência bem diferente, sendomarcadas por sua história de ocupação pelos europeus e pela escravidão de negrostraficados de África para trabalhar no país. Até hoje a sociedade leva asmarcas desse desequilíbrio social: Discriminação por causa de cor da pele,cabelo ou opção por uma religião afro-brasileira – tudo isso é racismo.

Em lembrança dos primeiros lutadores pela liberdade dos negros – Zumbi dos Palmares – cada ano o mês de novembro é fortalecido o debate sobre a Consciência Negra, com ações que mostram à população que cada pessoa deve ser igual e não ser discriminada. Não é legal ser seguido nas lojas por ser negro, não é justo ser excluído de uma vaga de emprego por causa do seu cabelo black power. Pode até por muito parecer estranho, mas isso ainda é a realidade triste do Brasil.

Grupo AdoleScER também enfrenta o racismo no ano inteiro durante as suas formações e ações trabalhando como tema transversal, mas como um enfoque maior em novembro proporcionando formação para equipe, atividades dos adolescentes e jovens Líderes de Opinião e ações de vinculação na comunidade e na escola, a partir do protagonismo dos próprios jovens nas quatro comunidades de atuação e com todos os projetos atuando em sinergia.

O grupo de adolescentes em Santa Luzia promoveu uma ação de vinculação na escola EREF Creusa Barreto Dornelas câmara, na perspectiva de levar às estudantes atividades em celebração ao Dia da Consciência Negra, comemorado no Brasil em 20 de novembro, data da morte do líder quilombola, Zumbi dos Palmares. A ação contou com cartazes que tinham imagens de representantes líderes negros, tanto mulheres como homens, em que alguns conhecidos pela sociedade e outros não, à medida que as/os estudantes iam escrevendo se conheciam aquelas pessoas, música de raízes africanas tocava no pátio da escola. Ao final uma bela ciranda iniciada pelos líderes de opinião e finalizada com a participação de alunos/as e funcionários da escola concluiu a atividade. “Foi dia bastante divertido. Aprendi a valorizar as pessoas negras, e também aprender a dançar um ritmo diferente”, Alice 7º ano.

Em Caranguejo/Tabaiares a ideia “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”, dominou a ação nas ruas da comunidade. Com o slogan “Juventude negra, temos cor, temos vez e temos voz”, os adolescentes abordaram os moradores, deixando eles refletirem sobre seu próprio preconceito e pedindo abraços a uma pessoa negra vendada, com o objetivo do morador sempre vencer qualquer tipo de preconceito e chamar a atenção pra um tema tão pertinente na sociedade.

Houve uma caminhada na comunidade pelo fim do racismo em Santo Amaro, com placas e cartazes, os moradores tiraram fotos e refletiram sobre o tema: “Comunidade Santo Amaro sem preconceito”, “Sou negra e preciso ser respeitada”, “Diga não ao preconceito” e “Sou negra, sou periférica, sou afrodescendente, sou humana”. “Isso foi legal porque os próprios moradores escolhiam as frases que se identificavam, se sentindo assim representados”, explica educador Cristiano.

Os adolescentes em Roda de Fogo também abordaram os moradores e trabalhadores nas lojas com placas e imagens que mostram a diversão de cores na sociedade Brasileira. “Dialogamos com os moradores a questão dos negros nos seus trabalhos e a questão do respeito a cor da pele e religião, dialogando com os moradores as questões do que fazer quando passar por uma situação de racismo”, conta a educadora Renata.

 Christina Schug, cooperante no Grupo AdoleScER

Novembro 2018