A adolescência é uma época da vida em que ocorrem muitas mudanças no corpo e no meio social, podendo influenciar emocionalmente nas decisões que se toma. Para muitos adolescentes, estes são tempos emocionantes, mas eles também podem ser momentos de estresse e apreensão para os mesmos, sendo essencial o apoio emocional na família, da escola e do(a)s amigo(a)s.

       Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está em oitavo lugar dentre os países com maior número de suicídios, atrás de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão. Representa 1,4% das mortes em todo o mundo, sendo a segunda principal causa entre os jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, estima-se que entre cinco a nove mortes por 100 mil habitantes em 2018 o tenha como causa. O fato é que 9, em cada 10 mortes, poderiam ser evitadas. Além do suicídio, a automutilação também acende um alerta à toda sociedade e reforça a importância da Educação para abrir diálogos e ações de prevenção neste campo.

       Em 2019, os adolescentes e jovens líderes de opinião do Grupo AdoleScER, multiplicaram os saberes adquiridos sobre “valorização à vida e prevenção ao suicídio”, nas formações das sedes comunitárias, para as escolas parceiras nas comunidades de Santo Amaro, Roda de Fogo, Santa Luzia e Caranguejo Tabaiares, todas localizadas na cidade do Recife. Foram apresentados e debatidos temas de extrema importância, como: depressão e a ansiedade, que são os principais fatores que contribuem para a automutilação e o suicídio (dado este identificado com os grupos que a instituição atua). As metodologias usadas foram diversas: dinâmicas de afeto, de integração, apresentações teatrais, rodas de diálogo, cine debate, conversa com familiares e afins.

 O CVV (Centro de Valorização à vida) foi apresentado como um importante instrumento que atua gratuitamente, há 57 anos, no apoio emocional e na prevenção do suicídio, como também, para quem convive com alguém que já tentou suicídio, é sobrevivente ou está em luto por perder um ente querido pela morte por suicídio, podendo compartilhar sua dor através de grupos de apoio.  A depressão independe de origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Por ser uma um problema de saúde pública, precisa ser tratado de maneira urgente e a rede de pública de saúde (SUS) precisa estar equipado para receber demandas como esta.

Compreendendo a importância do tema, o Grupo AdoleScER desenvolve planos de trabalho, atividades pedagógicas e ações com os adolescentes e jovens líderes de opinião para que os mesmos desenvolvam, nas comunidades e escolas, dinâmicas de afetividade e integração, ações e multiplicações de valorização à vida, como foi o caso das multiplicações sobre o Setembro Amarelo e  vídeos institucionais como: “Ser diferente é normal” e “Automutilação de adolescentes: Precisamos falar sobre isso”(feitos pelos próprios líderes de opinião do projeto). Desta forma, trabalhamos a sensibilização sobre o tema e alcançamos, de fato, um melhor entendimento e compreensão por parte dos adolescentes das comunidades assistidas.

A sociedade precisa compreender, que o suicídio e a automutilação são fatores seríssimos e que a saúde mental precisa ser tratada na sua integralidade. O custo do silêncio é alto, por isso, é preciso discutir e conscientizar as pessoas ao não julgamento e quebra de “tabus” que existem relacionados a esse assunto tão delicado, mas que faz parte, infelizmente da sociedade mundial.

Fontes:

https://www.cvv.org.br/

http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio

Conheça a Lei que Institui a Política Pública Nacional de Prevenção da Automutilação e ao suicídio

Texto de Karina Agra e Marília Gabriella
Educadoras do Grupo AdoleScER

Dezembro 2019