Promovidas pelo Projeto “Redução da Violência”, do Grupo AdoleScER, formações visam a criação de núcleos de mediações de conflitos em Santo Amaro e Caranguejo/Tabaiares.

Por assessoria de comunicação do Grupo AdoleScER

Monique, Danrley, Marcone e Cibelle possuem dois pontos em comum: a realidade de insegurança e violências que vivenciam em suas comunidades e a vontade de mudar esse contexto. Eles participaram, nos dias 23 e 24 de março, de uma formação sobre Mediação de Conflitos promovida pelo Grupo AdoleScER (GA) através do Projeto “Redução da Violência”, financiado pela Cáritas Alemã. Essa formação faz parte de um conjunto formativo, iniciado ano passado, que vem articulando a criação de Núcleos de Mediação de Conflitos nas comunidades de Caranguejo/Tabaiares e Santo Amaro para serem geridos pelos próprios moradores e moradoras.

O Grupo AdoleScER, organização sem fins lucrativo que desenvolve projetos com crianças e adolescentes do Recife, tem como uma de suas principais temáticas a redução da violência comunitária e escolar. É assim que ele vem estimulando a autonomia dos adolescentes e suas comunidades para serem protagonistas na criação de uma cultura de paz com ações como as formações sobre Mediação de Conflitos. Elas iniciaram em março do ano passado, com um encontro formativo que alcançou os adolescentes atendidos pelo projeto. No segundo semestre, iniciou-se a articulação com as lideranças comunitárias e mais um encontro, em novembro, aconteceu para nivelar o grupo articulado. Em 2017 as ações seguem se expandindo e trabalhando com as comunidades como um todo.

O encontro com a participação de Monique, Danrley, Marcone e Cibelle foi o segundo desse ciclo formativo. Ele juntou adolescentes do GA e líderes comunitários de Caranguejo/Tabaiares e Santo Amaro em dois momentos. O primeiro abordou conceitos teóricos sobre a temática e desenvolveu dinâmicas que, com metodologias psicológicas, trabalharam traumas passados nos participantes. “Precisamos estar prontos internamente para mediar um conflito, é importante que a gente trabalhe nosso traumas e fique bem conosco, é assim que poderei atuar para solucionar brigas corriqueiras na minha comunidade”, destaca o líder comunitário de Santo Amaro, Marcone Meireles.

O segundo momento desenvolveu atividades práticas a partir da teoria vista, quando as lideranças e os adolescentes puderam discutir situações reais e pensar em estratégias de mediação para solucioná-las. “Aqui estou aprendendo como escutar melhor o outro, vendo como posso atuar para solucionar brigas na minha comunidade”, comentou Danrley Silva, que já fez parte do Grupo AdoleScER quando adolescente e hoje, com 19 anos, vem multiplicando os conhecimentos adquiridos na organização para outros jovens em Caranguejo/Tabaiares.

Outras formações acontecerão mensalmente por um período de quatro meses. A próxima, marcada para o dia 20 de abril, tem a perspectiva de envolver mais moradores e moradoras das comunidades e já conta com o apoio do público atual nessa disseminação. “Eu já vou mobilizar outros vizinhos para estarem conosco nas próximas formações, pois elas são muito importantes para resolvermos diversas problemáticas da nossa comunidade”, afirmou a líder comunitária de Caranguejo/Tabaiares, Cibelle Silva.

Ao final das próximas quatro formações, serão criados os Núcleos de Mediação de Conflitos nas duas comunidades que estarão abertos para todo o ambiente comunitário. Eles funcionarão como bases de suporte e apoio para solucionar problemáticas de qualquer morador e moradora das regiões. A equipe já está mobilizando e pesquisando pontos estratégicos para serem as sedes dos núcleos. Além disso, há o constante trabalho, e as formações são um meio para isso, de captarem mais pessoas para integrar a gestão dos núcleos.

Também há a perspectiva dos adolescentes do Grupo AdoleScER levarem para suas escolas, localizadas nas próprias comunidades, essa temática, promovendo a abertura das gestões escolares para o trabalho de redução da violência no espaço escolar. “Na escola, as pessoas não conseguem dialogar, já partem para a violência, com essa formação eu posso contribuir para diminuir esse tipo de atitude”, comenta a adolescente do projeto do GA, Monique de Santana.

Monique, Danrley, Marcone e Cibelle querem participar dos núcleos para contribuírem com a melhoraria da qualidade de vida nos seus espaços. O contexto social de suas realidades é marcado por graves situações de violência, e o grupo deseja atuar naquelas que estejam ao seu alcance, desde uma briga de vizinho até a mobilização junto ao poder público para garantir direitos e políticas públicas em seus bairros. Autonomia e protagonismo são as palavras que permeiam as formações e a concepção dos núcleos de Mediação de Conflitos