Pessoas negras no Brasil sofrem até hoje em dia com o racismo – as pessoas e todas as suas expressões culturais e especialmente por sua religião, conhecida como religião de matriz africana, estão discriminadas de todas as formas cotidianamente devido a um processo histórico de segregação e com o aumento do conservadorismo na sociedade.

Cada ano, o mês de novembro é dedicado a consciência negra. Muitos movimentos, coletivos e ONGs celebram esse mês sensibilizando a população brasileira com ações, formações e expressões culturais p       ara diminuir e extinguir o racismo e discriminação ainda presente tanto na pratica diária da população como de forma estrutural na sociedade. Novembro é o mês principal dedicado a esta luta, sobretudo no dia 20, data em que  faleceu o maior símbolo no Brasil, pela representação que significou no enfrentamento ao racismo e à escravidão, Zumbi dos Palmares.

Esse ano, o Grupo AdoleScER escolheu como tema de luta o Respeito e a Religiosidade, trabalhando com crianças, adolescentes e jovens o entendimento de todas as religiões que estão presentes no país, mas especialmente das religiões da matriz africana que em Pernambuco a mais conhecida é o Candomblé. Foi identificado que o último ano houve muito retrocesso na questão de liberdade e respeito às religiões: terreiros foram invadidos e destruídos e o Candomblé está publicamente condenado por outras religiões, sobretudo as neopetencostais. Nas comunidades onde GA atua se encontra pouco conhecimento, mas muito mais preconceito: “Uma situação muito típica é que as pessoas chamam as mães de santos como macumbeira, de forma preconceituosa e ficam com medo e ódio. As crianças que fazem parte do candomblé sofrem discriminação na escola pelos/as outros/as alunos/as quando eles descobrem”, conta a educadora Viviane Queiroz.

No Grupo AdoleScER as crianças, – adolescentes e jovens passaram por duas formações sobre a temática no início do mês e depois foram construídos por eles/as mesmos/as multiplicação e ações de vinculação para a escola e comunidade. Durante essas formações ficou visível como é importante a conversa sobre o tema e a significação dos temas para desconstrução de preconceitos: “uma vez eu vi uma mulher macumbeira jogando um ovo, saiu fumaça e um espirito, fiquei com muito medo e corri”, contou uma adolescente de Caranguejo de forma preconceituosa e sem refletir o que ela viu e disse. O educador mostrou para ela, que deve ter sido um ritual de uma “mãe de santo” (Ialorixá) que não prejudica a ninguém: “Somos todos e todas iguais. Cada um tem a sua religião, mas é importante de aceitar e respeitar a escolha dos/as outros!”, foi a fala e resultado da formação, de Matheus em Roda de Fogo.

As intervenções foram realizadas nas quatro comunidade e cinco escolas, cada uma diferente, a partir da visão dos adolescentes, mas cada uma impactante, para sensibilizar as pessoas da importância de desconstruir os preconceitos.

“Reconhecer os seus privilégios foi importante para entender o outro: a evangélica pode usar uma saia sem problemas e uma pessoa que faz parte do candomblé fica discriminado quando usa certos colares”, conta uma adolescente de Santa Luzia da sua transformação depois da multiplicação sobre o tema na escola.

Renata Mello, Educadora da instituição, conta o momento mais impactante com os adolescentes em Roda de Fogo: “Durante a ação de vinculação os líderes de opinião pararam uma Mãe de Santo. Conversaram muito tempo com ela e aprenderam na conversa que tiveram nesse momento que a sua religião é do bem e que não é legal ter preconceito”.

“Foi importante de desconstruir a discriminação do candomblé. Chamei meu grupo para conhecer um terreiro na comunidade e os/as adolescentes aceitaram e entraram. Isso foi muito lindo de ver”, o educador Lucas Silva sobre a experiência em Santo Amaro.

A abordagem com as crianças ficou com mais foco em desconstruir o racismo de forma mais lúdica. “A liberdade pertence a todos!”, falou Larissa de CriaPaz, depois de ter refletido sobre escravidão, abolição e racismo. “Em Caranguejo fizemos brincadeiras de origem afro com as crianças. Foi muito lindo porque eles ficaram muito surpreendidos. Porque eles acharam que tudo vem da África é ruim”, educadora Viviane Queiroz.

18.12.2017