Dados de uma pesquisa[1] de caráter exploratório realizado pelo Grupo AdoleScER no ano de 2015 e 2016 nas escolas públicas onde a instituição atua com o objetivo de identificar os tipos de violências, mostrou que 53,29% dos entrevistados acham a escola violenta, onde a percepção destes estudantes é que 39,24% acreditam que o ambiente escolar fica mais pesado (quando se aumenta a violência) e que para 30,67% o maior problema é o espaço físico que muitas vezes não são adequados enquanto ambietes pedagógicos e de aprendizagem e que devido ao medo que impera nesses ambientes se portam como pequenas prisões, com muros e grades cercando o espaço físico, algumas com horário de recreio diminuído ou até inexistentes como formas paleativas de combate à violência. Outros fatores foram apontados pelos estudantes como problemas de violência a serem enfrentados como brigas/agressões físicas, furtos e tráfico de drogas.

Tudo isso é reflexo de situações históricas em que foram submetidas às escolas, com descaso, por diversas vezes do Estado e não acompanhamento da comunidade escolar no bom desenvolvimento da escola que está inserida no bairro, tão importante para contribuir na formação das pessoas.  Salas superlotadas, ambientes inadequados para o lazer, professores desmotivados, tudo isso geram conflitos que impactam fortemente no cotidiano da escola.

Trocando experiências no ambiente escolar o Grupo AdoleScER percebeu, que os professores muitas vezes não conseguem dar conta e construir o conhecimento, especialmente pela violência apresentada. Todas as escolas parceiras da instituição já aproveitam bastante do conhecimento do trabalho com adolescentes e jovens na transformação do ambiente escolar. Para alcançar um público maior com essa experiência foi desenvolvida uma formação para professores com a proposta de preparar o/a professor/a para atuar nas condições apresentadas: “Inspirar para Transformar – por uma cultura de paz nas escolas”. Em quatro módulos, um por mês, serão abordados diferentes temas para transformar a sala de aula e contribuir com atividades lúdicas, transformadoras e atrativas em sala de aula.

As primeiras duas turmas iniciaram no mês de Abril, do corrente ano. Com o objetivo de trabalhar com professores os conceitos de Escuta Ativa e Fortalecimento pessoal como ferramenta de ensino-aprendizagem com propósito de contribuir na prevenção e redução da violência no ambiente escolar foi iniciado o primeiro modulo, realizado pelo Grupo AdoleScER em parceria com o projeto Não Violência nas Escolas e a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco. Duas turmas de 30 professores da GRE Sul e Norte trabalharam nesse dia de forma lúdica e interativa. Foi um momento de muita troca, aprendizagem, reflexão e desenvolvimento com a perspectiva que essas formações contribuam e fortaleçam a relação entre as/os professoras/es e alunos/as.

O segundo modulo tratou de Ludicidade e Criatividade e foi realizado em Maio, o terceiro de Mediação de conflitos e não a violência e o quarto encontro da Transformação social. A formação acontece no primeiro semestre e no segundo semestre já iniciarão novas turmas, na proposta de formar em 2019 e 2020 por volta de 200 professores de mais que 50 escolas diferentes da cidade de Recife e de Pernambuco.

Christina Schug, Antropóloga,
Cooperante Internacional,
Maio 2019


[1]Estes dados podem ser encontrados nos arquivos do Grupo AdoleScER.


[1]Estes dados podem ser encontrados nos arquivos do Grupo AdoleScER.