Pelo dicionário da língua portuguesa, a palavra vincular, significa: prender, ligar, atar por laços de nós.  E é justamente essa a ideia central das atividades estratégicas que o Grupo AdoleScER chama de ações de vinculação.

Segundo Efrem Milanese no livro sobre Tratamento Comunitário (http://raisss.weebly.com/uploads/2/4/0/0/24002903/_tratamento.pdf): “Um dos produtos das relações de vinculação (seu produto talvez mais importante) é favorecer, fortalecer, manter, alimentar a participação comunitária. Não se trata só da participação nas atividades do projeto, e sim de uma posição perante o que acontece na comunidade: vencer a indiferença em relação às dificuldades da comunidade e de alguns de seus atores”.

Para entender como isso ocorre na prática, um exemplo se faz oportuno trazer a partir da experiência que o Grupo AdoleScER tem no desenvolvimento de ações deste tipo:  na formação com adolescentes líderes de opinião, foi visto que na escola pública do bairro há uma quantidade considerável de adolescentes que praticam bullying à outros adolescentes, tendo identificado isto a partir de um processo de investigação é necessário criar empoderamento e ações para se desenvolver práticas que incidam diretamente neste problema.

A etapa seguinte após o processo de investigação e estudo sobre o tema é organizar a atividade que pode ser feita no horário do recreio, saída, chegada dos adolescentes ou até mesmo na comunidade. Depende da situação, das redes que se consolidam neste processo e dos atores que irão desenvolver este momento estratégico.  O desenvolvimento da ação de vinculação se dá para que as pessoas sejam provocadas a refletir sobre o tema e como isto está fazendo mal às pessoas que são alvo dos que a praticam.

As ações de vinculação podem ser de diversas formas: teatro, cartazes, provocações individuais a estudantes, decorações informativas no ambiente que ocorre o bullying, música… O importante é usar a criatividade. E a atividade precisa ter um tempo de aplicação, um objetivo específico e foco.  Não é uma ação isolada é uma ação que está interligada a demais processos formativos, de investigação e pesquisa, que visam prevenir ou mitigar a violência escolar e, ou, comunitária.

Efrem Milanese ainda nos traz algumas dicas importantes no desenvolvimento das ações de vinculação:

  • Favorecer sempre a participação do maior número e da diversidade mais alta possível de atores.
  • Identificar ações exatas, pontuais, em resposta às demandas manifestadas e utilizar o trabalho de rua para identificar estas demandas.
  • O resultado (produto) das ações de vinculação é importante. Entretanto, seu impacto (permanência do efeito no tempo e produção de outros efeitos) depende da qualidade do processo.
  • As ações de vinculação são necessárias. É importante que sejam utilizadas para abrir o campo da ação e não para fechá-lo.
  • O objetivo estratégico é construir e fortalecer relações que conduzam a construção de redes.

Destaca-se aqui o quarto ponto trazido por MILANESE, acima: “É importante que sejam utilizadas para abrir o campo da ação e não para fechá-lo”, pois significam que as ações de vinculação unem os processos, provocando sobre um determinado tema enxergado como problema na comunidade ou na escola e a partir daí desencadeando vários outros processos formativos e organizativos para que esse problema cesse ou diminua.

As ações de vinculações já estão inseridas nas atividades desenvolvidas pelo Grupo AdoleScER e tem trazidos retornos significativos no que diz respeito a contribuir com a participação popular, na identificação e na redução de problemas que geram violência.

Por André Fidelis

Agosto 2019